As memórias são como as luzes de Lisboa, que me lembro de ver, quando era pequenina e regressava à outra margem depois de um dia na capital. São muitas e são difusas, como quando os meus olhos se fechavam, devido ao cansaço de um dia de uma criança pequena. Nessa altura, gostava de ouvir o Oceano Pacífico, no teu carro vermelho. (Nunca percebi por que razão os teus carros eram sempre vermelhos, se o teu clube era, e é, o Sporting.) Eram os dias em que estavas cá sempre apesar de nem sempre estares. E agora que estás cá sempre, já não estás. É estranho, não é? Também é estranho para mim. Nunca me habituei à tua presença. (Sim, eu sei que raramente me deixo habituar à presença de alguém.) Nem nunca me quis permitir a habituar. No entanto, agora faz-me confusão. Acho que, no fundo, habituei-me. (Senão, por que outra razão estaria agora a escrever para ti?) Porquê? Não devia. Não devia porque agora que estás já não estás. E eu não quero isso. Outra vez.
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