quinta-feira, 25 de julho de 2013

A minha vontade de ficar é igual à minha vontade de partir. Por isso, deixo-me ficar no espaço vazio entre as duas, à espera de que uma ceda à outra — ou uma vontade se deixa ficar ou a outra vontade se deixa levar.

quinta-feira, 16 de maio de 2013

otempoperguntaaotempoquantotempootempotem


É inevitável não querer que o tempo passe, porque, quanto mais o tempo passa, mais eu me dou conta de que a vida muda. 
Tu cresces e deixas de ser aquilo que eu sempre conheci. Tu cresces e fazes e dizes coisas que eu não te imagino a dizer.
A tua voz deve ter mudado. O teu riso deve ter mudado. O meu riso mudou. Sentiu a falta da tua companhia e mudou. 
E eu não quero que o tempo passe mais - quero que pare -, porque o tempo passa e apaga aquilo que havia de mim em ti e de ti em mim. 
E eu, egoísta, como sempre, não quero que isso aconteça. 

O tempo pesa e o tempo custa.


terça-feira, 5 de março de 2013

Aeroportos

As memórias são como as luzes de Lisboa, que me lembro de ver, quando era pequenina e regressava à outra margem depois de um dia na capital. São muitas e são difusas, como quando os meus olhos se fechavam, devido ao cansaço de um dia de uma criança pequena. Nessa altura, gostava de ouvir o Oceano Pacífico, no teu carro vermelho. (Nunca percebi por que razão os teus carros eram sempre vermelhos, se o teu clube era, e é, o Sporting.) Eram os dias em que estavas cá sempre apesar de nem sempre estares. E agora que estás cá sempre, já não estás. É estranho, não é? Também é estranho para mim. Nunca me habituei à tua presença. (Sim, eu sei que raramente me deixo habituar à presença de alguém.) Nem nunca me quis permitir a habituar. No entanto, agora faz-me confusão. Acho que, no fundo, habituei-me. (Senão, por que outra razão estaria agora a escrever para ti?) Porquê? Não devia. Não devia porque agora que estás já não estás. E eu não quero isso. Outra vez. 

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

Ainda sobre a palavra


As palavras têm os significados que cada um de nós lhes atribuí, têm a força que cada um de nós deposita nelas. Devia lembrar-me mais vezes disso. 

segunda-feira, 15 de outubro de 2012


Pensei que, às vezes, me alimento de corações. Depois, percebi que talvez fossem os corações que me alimentam.  Mas, por fim, cheguei à conclusão de que nenhuma destas opções podia estar absolutamente correcta. Não me alimento de corações. Se me alimentasse apenas deles, eles nem sequer podiam ter uma palavra a dizer sobre isso. Simplesmente, tal como bonecos, limitar-se-iam a obedecer-me. Também não são só os corações que me alimentam, pois isso poderia querer dizer que não decido se quero ser alimentada por eles. Era como uma violação das papilas gustativas, como uma obrigação em comer um alimento de que não gostamos ou que não queremos comer em determinado momento. Algum tempo depois cheguei à conclusão de que, com toda a certeza, sou alimentada por um coração que alimento. Não me importo que ele me alimente o dia todo. Não tenho medo de engordar com ele, nem tão pouco de me viciar no sabor. Enjoar não é sequer uma probabilidade. Mas também não me importo de o alimentar, com beijinhos, o alimento preferido do coração. Ele quer. Ele pede-me esses beijinhos. E ele também não se importa de ficar gordinho de pequenos beijinhos-corações. 

quarta-feira, 22 de agosto de 2012

nãomeapeteceescreverporissovousódizer:merda.

segunda-feira, 20 de agosto de 2012

às vezes também me mordem bichos estranhos. não sei o que são. aparecem, mordem, vão embora. para trás deixam uma manchinha que me dá comichão. quanto mais eu coço, mais comichão me dá. e eu fico triste, porque demora a passar. sim, tenho uma pomada especial para ela, mas, mesmo assim, só me dá alívio. não faz com quem a manchinha desapareça totalmente. às vezes, essa manchinha chega mesmo a crescer, crescer, crescer. e, com esse crescimento, cresce também a comichão. tenho de esperar que passe e tentar não coçar.
acho que há palavras que estão revoltadas comigo. ou então sou eu que estou revoltada com elas e ponho-lhes a culpa em cima.